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O Resgate da Memória – Uma conversa com Luiz Silveira

Por Melina Mayrink O’Kuinghttons e Vinícius Munhoz

A relação de idosos com tecnologia digital nunca foi simples. Nascidos em uma época na qual a principal ferramenta de escrita era a máquina de datilografia, nunca pensariam que em poucas décadas bastaria um clique para conectar pessoas de lados opostos do mundo. Segundo pesquisa do TIC Domicílios, apenas 34% das pessoas acima de 60 anos já se conectaram na internet, e em 2017 apenas 21% dos idosos diziam ter usado um computador. 

Entenda mais sobre esse cenário acessando a matéria completa aqui.

 

Ia ser uma loucura, ia fugir, pular a janela. Quero sair, ficar aqui dentro sem fazer nada: sem chances! Imagina eu com minha idade (sem poder sair), o que vou fazer sem computador?

Luiz Silveira

O Resgate da Memória

Luiz, de 80 anos e já aposentado, foi conhecer a internet e o computador na casa dos 70. Apesar de ter trabalhado mais de 30 anos na Telesp, nunca havia sido um grande entusiasta das novas tecnologias, mas enxergou nas redes sociais um meio para compartilhar suas memórias e recuperar relacionamentos antigos: “Um dia desses um senhor me ligou e disse ‘ô seu Luiz, você tá no Facebook, né? Você postou uma procissão aí e eu vi minha avó que morreu em 93, e queria ver ela de novo”. Sua avó teria morrido em 1992, e o vídeo foi feito em 1991 na cidade de Itu, interior de São Paulo.

Ao contrário dos outros entrevistados, Luiz não foi se conectar às redes devido a necessidades profissionais e acadêmicas. Seu maior interesse era o entretenimento, passar tempo com as pessoas que conhece mesmo estando distante delas.

Compartilha memórias com grande parte das pessoas que já passaram por sua vida, seja na cidade natal, Itu, ou na que reside atualmente, São Paulo: “Tem aniversário do meu pai que eu filmei em 88, eu coloco aqui e mando pros meus parentes, eu vou me divertindo aqui”. E, ainda contrariando o senso comum, comenta: “Para nós dessa idade, isso (redes sociais) foi uma maravilha!”.

Luiz também ressaltou que a tecnologia, e mais especificamente as redes sociais, foram um grande avanço e trouxeram diversos benefícios para sua vida: “Para mim melhorou, é que eu não parei no tempo, se eu parasse aí seria pior. Mas com essa tecnologia eu tô indo, tô acompanhando”.

 

Com a pandemia, a frequência do uso da tecnologia se intensificou ainda mais e, segundo Luiz, sem seu computador “ia ser uma loucura, ia fugir, pular a janela. Quero sair, ficar aqui dentro sem fazer nada: sem chances!”. E ainda complementa: “Imagina eu com minha idade (sem poder sair), o que vou fazer sem computador?”.

Sem poder manter as relações pessoais presencialmente, elas foram, pouco a pouco, se estabelecendo no meio digital. “Se eu ficar aqui sem conversar com ninguém, eu fico maluco. E não pode descer, porque o pessoal põe a mão…”, comenta Luiz. A internet se tornou sua forma de manter seus relacionamentos de dentro de casa. Isolar-se da tecnologia, nesse caso, seria sinônimo de se distanciar do resto do mundo.

Luiz ainda coleciona filmes e fotos antigas, e, com o computador e alguns outros aparelhos, consegue transferir tudo para seu computador e repassar entre os amigos no Facebook. Fitas VHS até filmes de fotos antigas são, entre trancos e barrancos, passados para o computador e compartilhados nas redes sociais: “Revivendo o que é velho, mas tem muita gente que gosta”.

Atualmente, a relação de Luiz com a tecnologia já ultrapassou diversas barreiras que, para pessoas acima de 80 anos, seriam impensáveis de serem superadas: passar fitas e filmes antigos para o computador, compartilhá-los sozinho nas redes sociais e ligar, através do Facebook, para parentes e amigos que vão de São Paulo até a Bahia. A tecnologia em tempos pandêmicos representa muito mais do que uma mera ferramenta: ela se tornou o meio no qual se enxerga a única forma de convívio social, e os idosos não podem ficar de fora.

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