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A Necessidade Profissional – Geraldino Ferreira

Por Melina Mayrink O’Kuinghttons e Vinícius Munhoz

A relação de idosos com tecnologia digital nunca foi simples. Nascidos em uma época na qual a principal ferramenta de escrita era a máquina de datilografia, nunca pensariam que em poucas décadas bastaria um clique para conectar pessoas de lados opostos do mundo. Segundo pesquisa do TIC Domicílios, apenas 34% das pessoas acima de 60 anos já se conectaram na internet, e em 2017 apenas 21% dos idosos diziam ter usado um computador. 

Entenda mais sobre esse cenário acessando a matéria completa aqui

 

Computador para mim é sinônimo de máquina de escrever, só sei digitar e mais nada… então como agora entrar em contato com os pacientes e alunos online? Também não sabia nada disso. E não foi fácil.. foi uma dureza eu aprender a usar o zoom!

Geraldino Ferreira

A Necessidade Profissional

Geraldino Ferreira, psicanalista de 86 anos, explica que idosos têm mais memória do passado, e não do presente, o que dificulta a aprendizagem (neste caso, da tecnologia) para esse grupo social.

Ele mesmo, que sempre realizou atendimentos e cursos presenciais de psicanálise, compartilhou as dificuldades que enfrentou para se adaptar ao meio digital em função de seu trabalho: “Antes da pandemia já existia a ideia de que a maneira à distância de atendimento não era recomendada. Não eram formas adequadas ou até mesmo éticas para atender os pacientes. Mas, com a COVID-19, os psicanalistas ficaram desarmados, porque ninguém ia ter coragem de fazer sessões presenciais em ambientes fechados”.

Geraldino relata que esse processo não foi fácil e que é uma maneira precária de trabalhar. Acredita que, se não tivesse sido obrigado pelo atual cenário pandêmico a aderir à tecnologia como ferramenta de trabalho, não se esforçaria tanto para isso. Continuaria usando o computador como máquina de escrever. Inclusive, essa era a relação que tinha com a tecnologia desde jovem. 

Por também ser escritor, sempre teve que lidar com máquinas. Com o surgimento dos computadores, passou a utilizá-los para digitar seus livros e artigos. Apesar da praticidade, confessa que foi também uma obrigação, uma situação imposta.

Ele acredita que mesmo após o término da pandemia, esse modelo vai continuar sendo utilizado, mesmo nos atendimentos. “Alguns vão querer presencial, mas outros vão preferir online, porque não tem que sair de casa, pegar condução, perder tempo. As duas coisas vão continuar, cada uma com suas vantagens e desvantagens”. Ele mesmo já adaptou em sua própria casa uma sala de atendimento para que, no futuro, não precise se deslocar para atender os pacientes.

 

Atualmente, ministra dois grupos de curso de psicanálise no Brasil, cursos e atendimentos gratuitos em Moçambique, coordena uma associação de psicanálise e um grupo de estudos e realiza lives no YouTube. Entre o público, tem aluno que mora nos Estados Unidos e atende um paciente da Nova Zelândia.

Nesse sentido, enxerga um lado bom no modelo digital: “É bom poder abranger mais coisas, pessoas e lugares: Nova Zelândia, Moçambique, regiões distantes no Brasil. Hoje, a qualidade dos cursos melhorou do ponto de vista das pessoas que o procuram. A seleção fica mais abrangente quanto ao espaço e à qualidade da diversidade do curso. Não era assim antes, isso é uma vantagem de atingir mais pessoas”.

De qualquer forma, Geraldino observa ganhos que a tecnologia trouxe para sua rotina e vida de forma geral. Hoje, ele mantém seu trabalho estável graças a ela. Todos os atendimentos, cursos e palestras que ministra atualmente vieram da internet: “A tecnologia ajuda muito. Hoje o mundo inteiro está fazendo home office e recebe salário através da máquina. Senão, todo mundo ficaria desempregado. Tem outros trabalhos que não podem ser feitos na máquina, mas quem pode está mantendo o emprego graças a isso”.

Após muito treinamento, hoje considera que lida melhor com os aparelhos, mesmo que ainda existam dificuldades com as quais não consegue lidar: internet que cai, áudio que não funciona. Também lamenta a falta de familiaridade com nomes e rostos dos alunos. Mas, apesar dos empecilhos, está conseguindo atender os pacientes e ministrar os cursos, a custo de muito esforço e por necessidade. Ele acredita que, se houver motivação e um desejo de aprender, é possível aprender qualquer coisa em qualquer idade.

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Geraldino Ferreira

Psicanalista

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Luiz Silveira

Aposentado

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Maria Augusta

Professora

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